sábado, 15 de agosto de 2009

Velha Infância


Ultimamente tenho pensado muito na minha infância. Bons tempos. Época em que eu era feliz e não sabia! Como eu sonhava em ser adulta!! Meus pais me diziam para aproveitar ao máximo minha infância, mas eu continuava desejando virar adulta logo. Agora que sou uma, o tempo não pode mais voltar. Só restam as minhas doces lembranças da infância.

Amava brincar de Barbie. Montava a casinha, brincava de desfile, trocava de roupas e acessórios, fazia o Ken se casa com a Barbie. Haja imaginação! Na hora de guardar era um problema, pois eu fazia a maior bagunça e depois me dava aquela preguiça. Eu tentava inventar história pra minha mamãe me ajudar, mas não colava. Além da Barbie, eu adorava brincar de casinha. Eu tinha um bebezinho e uma cozinha chamada Bankuka. Brinquei tanto que a cozinha ficou toda ferrada! Fora os joguinhos que eu podia brincar com meu irmão: pense bem, pega-peixe, não acorde o dragão, passa ou repassa, explosão... Afinal, ele não gostava de brincar de casinha. Eu chorava, esperneava, suplicava, mas ele não queria brincar comigo de casinha. Na época, minha mente inocente não entendia o porquê.

E os programas de televisão? Que delícia! Carrossel, Xuxa, Vovô e eu, Jaspion, Changeman, Cavaleiros do Zodíaco, Muppet Babies, Ducktales, Chavez, Chapolin, Caverna do Dragão... Que saudades dessa época. Eu vivia na frente da TV e minha mamãe ficava louca comigo porque estava atrasada para o colégio. Hoje em dia, não tem mais programas legais como antigamente. Uma pena...

No colégio eu me divertia muito. O colégio era um pouco velho e as portas do banheiro emperravam às vezes. Fiquei presa no banheiro umas dez vezes e como eu era mini, dava para passar por um vão entre a porta e o chão. Imagina se eu fosse gordinha? Ia ter que pedir socorro! Também lembro das festinhas, das vezes que ficávamos ensaiando até aprender a coreografia, das gincanas, dos jogos de queimado que eu sempre perdia porque era pequenina. E as aulas de vôlei? Meu saque sequer passava pela rede! Lembro que morria de medo da lenda da mulher de branco, mulher do espelho, mulher de verde e sabe-se lá quantas outras assombrações o povo inventava. E a brincadeira do compasso, da caneta? Na hora de brincar todo mundo ia, mas depois ficava morrendo de medo do espírito ficar preso e assombrar a gente. Coisas de criança.

Minha infância: doces lembranças, tempos que não voltam mais. Guardo muita coisa boa dessa época. Mas guardo coisas ruins também. Das vezes que fui deixada de lado por ser a mais inteligente da sala. Das vezes que o povo era meu amigo só para pegar cola nas provas ou para ficar na minha aba na hora dos trabalhos de grupo. Das vezes que sofri preconceito porque sou japinha. Das vezes que eu era ofendida quando diziam que eu tirava notas boas porque meus pais pagavam por fora. Eu era muito bobinha e inocente nessa época. Mas a gente cresce e as coisas mudam, evoluem. Eu posso continuar pequenina, mas a minha velha infância serviu para me ensinar muitas coisas.

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