sábado, 17 de maio de 2014
Kita around the world: Os encantos do Maranhão do meu Brasil
Nesse ano, o feriado de Dia do Trabalhador caiu numa quinta-feira e a gente emendou a sexta. Decidi aproveitar e visitar uns amigos na cidade de São Luís, no Maranhão. Peguei um vôo da Gol na quarta de noite, que faz escala em Brasília. De Confins (MG) até Brasília são cerca de 1 hora de vôo. E de Brasília a São Luís, mais 3 horas.
Cheguei em São Luís de madrugada. Fui direto para a casa dos meus amigos. Lanchei e lógico, apaguei, pois no dia seguinte tínhamos uma agenda cheia.
Quinta: Centro Histórico de São Luís
Acordamos cedinho, e fomos caminhar na Praia do Calhau, com direito a água de côco no quiosque do Henrique. É um quiosque com uma infraestrutura boa e tem opções variadas de comida, petiscos e bebidas, é um dos melhores da região. Em seguida, fomos para o Centro Histórico de São Luís.
Com uma área de 220 hectares de extensão, o Centro Histórico possui cerca de 2500 imóveis tombados pelo patrimônio histórico estadual e 1000 pelo IPHAN. Parte desse lugar foi declarado Patrimônio Mundial em 1997, por seu conjunto arquitetônico colonial português. Confesso que fiquei super decepcionada com o estado de conservação dos sobrados. Um lugar tão bonito e com um teor cultural e histórico desse porte deveria ser mantido em boas condições. Mas ainda assim vale a visita. Algumas construções de destaque: a Casa das Tulhas (construída em meados do século XVIII para funcionar como uma espécie de celeiro, hoje abriga lojinhas de artesanato e produtos típicos da região), as igrejas do Rosário e do Desterro e o Palácio dos Leões (que é a sede do governo do estado). Aproveite a Casa das Tulhas para comprar lembrancinhas, pois os preços são ótimos.
Também é interessante parar em frente à Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, de onde temos uma vista privilegiada da Ponte Governador José Sarney, mais conhecida como Ponte do São Francisco, por ligar o Centro Histórico de São Luís ao bairro do São Francisco. Essa ponte atravessa o Rio Anil perto de sua foz. O curioso é que de manhãzinha, o rio fica bem cheio e ao longo do dia, a maré vai baixando até ficar praticamente seca. Dá até pra ver alguns pescadores caminhando.
Depois do passeio pelo Centro Histórico, fomos almoçar o Ferreiro Grill (localizada na Lagoa da Jansen). Muita gente recomenda a Cabana do Sol, que é um restaurante com comidas mais típicas. Mas no Ferrero, comi uma das picanhas argentinas mais saborosas que já vi! E o lugar é bom para que tem criança pequena, pois é um dos poucos lugares que tem brinquedoteca.
Para completar o dia de jacância total, à noite, fomos jantar na pizzaria Maggiorasca (na Av. Litorânea). A pizza é uma delícia, de massa fininha, do jeito que eu adoro!
Sexta: Viagem a Barreirinhas
Barreirinhas é a porta de entrada para os famosos Lençóis Maranhenses e fica a cerca de 3h40 de São Luís. O plano era sair de manhã bem cedo, mas como tivemos um imprevisto (o pneu do carro furou) tivemos que adiar a viagem para depois do almoço.
Apesar das ruas em São Luís serem mal conservadas, a estrada até Barreirinhas é ótima e bem tranquila. A região é bem pobre, e pouco povoada. É possível ver muita gente morando ainda em casas de pau a pique e telhado de palha. Chegando em Barreirinhas, encontramos um município pobre e com pouca infraestrutura. Ficamos no Gran Solare, um dos poucos hotéis da cidade (a maioria das hospedagens são pousadas).
O hotel, comparado com o resto da cidade, é um mundo a parte. Fica às margens do Rio Preguiça e tem piscina. Os quartos são simples e dão pro gasto. A comida não é nenhuma maravilha, mas temos que considerar que estamos em uma cidade com pouca infraestrutura. Ah! Os petiscos e as pizzas vendidas no bar que fica às margens do Rio são ótimos!
Após nos instalarmos no hotel, ainda deu pra gente pegar uma piscina e fechar os passeios do dia seguinte. Dentro do próprio hotel tem agências que fazem os passeios pela cidade. Escolhemos a agência Off Road, que cobra R$ 60,00 por pessoa e se fechar 2 passeios com eles, o segundo sai a R$ 50. Fechei dois passeios: um que sobe (ou desce?) o Rio Preguiça e passa em alguns povoados e o outro que consistia na visita aos famosos Lençóis Maranhenses. Para o passeio do Rio, decidimos fretar uma lancha (capacidade pra 5 pessoas) só pra gente, o que saiu num total de R$ 300.
Sábado: Rio Preguiça e, finalmente, os Lençóis
Antes de mais nada, a recomendação é passar muito filtro solar para nos proteger dos raios UVA e UVB. O passeio pelo Rio Preguiças começou cedinho. Eram 9 horas da manhã e já estávamos no píer, vestindo os coletes salva-vidas e entrando na lancha. O bom de termos fretado a lancha era que nós mesmos fazíamos nosso itinerário. O passeio com galera dura quase o dia todo, tem horário marcado pra tudo. A gente conseguiu nos organizar e fazer tudo em 1 manhã. O Rio Preguiças é a principal via fluvial que cerca a cidade de Barreirinhas. Os moradores mais antigos da região contam que o nome “preguiças” tem sua origem relacionada à presença de muitos bichos preguiças que habitavam as matas das margens do rio há muitos anos atrás, e por suas águas mansas e tranqüilas correrem preguiçosamente ao sabor das correntes. O Rio Preguiças nasce no povoado Barra da Campineira, no município de Anapurus e percorre mais de 120 km até desaguar no Oceano Atlântico em frente ao povoado de Atins.
Após cerca de 40 minutos de passeio de lancha, temos a primeira parada em Vassouras, que se trata de um conjunto de dunas, onde formam lagoas na época das chuvas. No local tem uma tenda de palha que vende bebidas, alguns petiscos e artesanato. E a recepção fica por conta de uns macaquinhoss que parecem fofos, mas de fofos não têm nada! Eles aparecem em bando e ficam de tocaia e, quando a gente menos espera, eles roubam o que a gente tiver de comida. É bom levar algum petisquinho, se quiser atrair os macaquinhos para tirar fotos, mas cuidado, porque eles são bem ágeis! Depois dos macacos, fomos andando pelas dunas até chegar na lagoa. Na volta, paramos na tenda para tomar água de côco, e retornamos à lancha para seguir com o nosso passeio.
No passeio convencional, a próxima parada é a Praia de Caburé, que tem uma boa faixa de areia clara e fofa, mar calmo e de águas limpas, propício para o banho. O lugar possui boa infraestrutura, com bares e restaurantes que servem petiscos e bebidas, provenientes de uma vila simples de pescadores. Porém, como não pretendíamos almoçar no local, seguimos direto para Mandacaru, uma vila de pescadores bem simples, que abriga o Farol das Preguiças (Conhecido como Farol de Mandacaru). Esse farol tem 32 metros de altura e foi construído em 1940. São 160 degraus e uma vista panorâmica top para Mandacaru, Atins, Caburé, Rio Preguiças, Lençóis Maranhenses e manguezais. No caminho até o farol tem algumas tendinhas que vendem artesanato, com preços bem camaradas. É bom levar dinheiro, pois só vi umas 2 lojinhas que aceitam cartão.
Depois de quase morrer de tanto subir escada, retornamos à lancha e fizemos nosso caminho de volta. Almoçamos no hotel e fui arrumar minhas coisas porque à tarde eu tinha o passeio para os famosos Lençóis Maranhenses!
Conhecido como o Saara brasileiro, os Lençóis Maranhenses correspondem a 155 mil hectares de paisagem deslumbrante, cheio de altas dunas que chegam até 40 metros de altura e lagoas de água doce. As águas da chuva são aprisionadas entre as dunas, formando verdadeiros oásis tropicais. Algumas lagoas chegam até a ter peixes.
O passeio para os lençóis sai às 14h, com retorno previsto para 19h. Saímos do hotel em um veículo 4×4 (Toyota Hilux), que comporta 2 pessoas na cabine e mais 9 na caçamba. Apesar de estarmos em 5 pessoas, a agência manteve nosso passeio, pois já tinham firmado compromisso com a gente. Antes de começar pra valer, fazemos uma parada em um mercadinho, para comprar água, bebidas não alcoólicas e comida, pois nos lençóis não tem nada disso. Como estávamos "abastecidos", fomos direto para o ponto onde é feita a travessia do Rio Preguiças em balsa. Essa travessia é rapidinha e dura cerca de 10 minutinhos.
No Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses (criado em 1981 para preservação ambiental), percorremos de 4X4 uma trilha punk, que dura em média 45 minutos. Parece um rally, tem horas que a gente achava que ia atolar na lama. E o carro sacode tanto que me senti num touro mecânico, e ainda por cima, tinha que desviar dos galhos das árvores que cercam a trilha. Total adventure!! Mas muito legal! O 4X4 nos leva até um certo ponto. De lá, seguimos a pé, caminhando pelas dunas.
Uma época boa para visitar os lençóis é de abril a agosto, durante ou logo após o período de chuvas, quando as lagoas estarão cheias. A primeira lagoa que encontramos é a Lagoa da Preguiça, que tem esse nome porque as pessoas se cansam de andar nas dunas e acabam ficando por lá mesmo. Logo depois passamos pela lagoa Esmeralda e, finalmente, a Lagoa Azul, que é uma das maiores e acaba servindo de referência. A Lagoa Azul ganhou esse nome, pois tinha umas algas que davam a coloração azul. Porém, com o excesso de protetor solar não biodegradável, as algas morreram, restando somente as algas de cor verde.
O passeio convencional ainda inclui mais uns 30 minutos de caminhada até a Lagoa do Peixe, que é a única lagoa permanente do parque, repleta de peixes. Possui tonalidade verde escura, devido à vegetação aquática e não é tão bonita quanto as outras. Por isso, só vale a pena a visita se as outras lagoas estiverem vazias.
Após desfrutarmos um tempo nas lagoas, subimos a duna, e nos dirigimos para um ponto demarcado com uma bandeirinha. De lá, aguardamos ansiosamente pelo pôr do sol maravilhoso. É bom aproveitar para admirar a beleza do lugar. É uma sensação indescritível, tudo tão lindo e calmo, dá pra sentir até a presença de Deus agindo sobre tudo aquilo. Infelizmente, o céu começou a nublar e não conseguimos ver o sol se por totalmente. Mas ainda assim, valeu muiiiiito a pena! Saímos correndo para pegar um lugar bom na balsa, e conseguimos retornar 18h30 ao hotel.
Domingo: Retorno
Como meu vôo de volta era à tarde, saímos logo depois do café da manhã e pegamos a estrada para São Luís. O ideal era ter ficado mais uns 2 dias, para fazer os passeios com mais calma e descansar. Lógico que fiquei com aquela vontade de "quero mais", porque os Lençóis são realmente maravilhosos e o clima da região é uma delícia!
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Um comentário:
Adorei os coments! Pena que não terei tempo de conhecer o centro histórico, pois vamos direto a barreirinhas!
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