Fazendo um passeio pela cidade maravilhosa, é óbvio que fui ao MAR. Sol, praia, agua de coco geladinha, mate e biscoito globo... Hummm! Mas não teve nada disso! Fui conhecer o novo Museu de Arte do Rio, localizado na Praça Mauá, no centro do Rio de Janeiro. O MAR é a realização de um dos projetos de revitalização da zona portuária da cidade. Estima-se que a prefeitura investiu R$ 43 milhões nesse projeto.
Chegando no MAR, a gente dá de cara com uma construção inusitada e ambiciosa. São dois prédios antagônicos esteticamente, um do lado do outro, unidos em prol da arte, por uma passarela envidraçada com cobertura fluida, em forma de onda. Um dos prédios é o Palacete Dom João VI (construído em 1916, também conhecido como Palacete Mauá), tombado e eclético. O outro é um prédio de estilo modernista, onde funcionava o hospital da policia civil. No Palacete temos as salas de exposição do museu e o prédio vizinho abriga a Escola do Olhar, que se trata de um ambiente para produção e provocação de experiências, coletivas e pessoais. Atrás dos dois edifícios, vemos a marquise da primeira rodoviária do Rio, que teve que ser preservada também por ser tombada, e abrigará serviços do museu (loja de souvernirs e lanchonete).
O bacana é ir na terça-feira, quando a entrada é gratuita. Não fica cheio, vale a pena conferir. Você chega, pega sua entrada na bilheteria e passa no guarda volumes para deixar as bolsas grandes. É bom porque você pode passear pelo museu de forma mais confortável, sem carregar as tralhas todas. Mas principalmente essa ação minimiza possíveis acidentes com as obras de arte, como por exemplo esbarrões.
Após guardar seus pertences e pegar o ingresso, pegamos o elevador e descemos no último andar. A visita começa do terraço do prédio, de onde temos de uma lado, uma vista privilegiada do porto maravilha. Bem, o porto ainda não está tão maravilha quanto a cidade do Rio merece. Mas é super interessante a vista que vc tem: a praça Mauá, a baguncinha do Centro do Rio e o início da Av. Rio Branco, o porto, o morro da Conceição... O Morro da Conceição parece uma favela, mas é um bairro antigo de classe média baixa, marco da ocupação na região central do Rio. Dizem que teleféricos devem ligar o MAR ao Morro, mas eu não cheguei a ver essa parte, ficamos só nas exposições.
Ah, curiosidade: foi no terraço do MAR que foi gravado o casório da delegada Helô e o Stênio da novela Salve Jorge. Após apreciar a vista, nos dirigimos para o início das exposições. Logo na entrada, tem uma maquete super legal do MAR. E os toaletes e bebedouros, funcionando direitinho e super limpinhos.
As exposições são super interessantes. A primeira é a "Rio de Imagens", com 400 peças que contam a história do Rio e dá visibilidade às principais coleções de arte da cidade. Tem muita coisa legal: quadros, vasos, esculturas... Tudo retratando como era o Rio antes da chegada dos portugueses e a evolução até os dias de hj. Adorei conhecer tudo e o que mais me marcou foi ver uma coleção de Barbie em homenagem ao Rio (como toda menina, eu fui apaixonada pela Barbie kkkk), uma réplica do rosto do Cristo Redentor e a maquete do Teatro Municipal.
Depois dessa exposição, conhecemos "O Colecionador", a Arte brasileira e internacional na coleção Boghici, composta por 140 peças, entre pinturas e esculturas, cujo recorte inicia com a Missão Francesa de 1816 e se estende aos dias de hoje. Di Cavalcanti, Rubens Gerchman, Kandinsky estão entre os artistas. A exposição é super interessante, as obras são organizadas como se fosse um espiral.
No 1º andar temos a exposição "Vontade construtiva na coleção Fadel", com 230 peças produzidas por artistas brasileiros dos movimentos concretista e neoconcretista, de 1950 e 1960. Essa parte é cheia de obras misturando e brincando com cores, linhas e formas geométricas.
No térreo temos a última exposição, "Arte de sociedade no Brasil I", com obras de Antonio Dias, Helio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape, Raul Mourão, Waltercio Caldas e o coletivo Opavivará. São peçasque refletem protestos e manifestações culturais do nosso povo carioca diante da urbanização de nossa cidade. O que mais chamou a atenção é uma imensa maquete retratando uma favela, a obra é feita com tijolos pintados e poucos recursos, mas é rico em cores e detalhes.
O MAR é um lugar que merece um pouquinho da nossa atenção, não deixem de aproveitar! Depois do passeio ainda passamos na lojinha, tem muita coisa legal e interessante, mas tudo absurdamente caro. Saímos sem comprar nada. E o café é simples, tem poucas opções. É mais vantagem seguir caminhando pela Av. Rio Branco, atravessar a Av. Presidente Vargas, e ir até a Rua Gonçalves Dias, onde fica a Confeitaria Colombo e a Deli 43 (vende delícias da Pavelka). É uma caminhada boa, mas que vai queimar as calorias que vc vai consumir com as gostosuras desses lugares.

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