Todo carioca que trabalha no Centro deve ter passado na Presidente Vargas pelo menos uma vez depois que inventaram a tal obra do metrô. Essa bendita obra tem causado muitos transtornos. Além do trânsito confuso, essa obra está atentando contra a vida de todos que trabalham no prédio dos Correios, Sulamérica e arredores.
Vocês devem se lembrar da passarela antiga, de ferro, pintadinha de azul celeste e com marcas de ferrugem. Ainda tem exemplares dela espalhadas pela Presidente Vargas. Tem na Leopoldina também. Ela já não era grande coisa, balançava quando alguém subia ou descia correndo. Para atravessar a avenida era necessário muita coragem e uma boa dose de adrenalina.
Com a obra a passarela se foi. Retiraram a pobrezinha para construir outra no lugar. Enquanto essa nova não fica pronta, fizeram uma provisória. Já tem séculos que o povo é obrigado a usar essa maldita passarela provisória e nem sinal da passarela nova e definitiva. Nem um parafusinho, nadica de nada.
Ao usar a passarela provisória, nossa vida vira um filme de suspense, ação, terror. Tudo junto e misturado. A passarela é feita de um monte de ferro velho, enferrujado, alguns pedaços estão visivelmente retorcidos. Os degraus são feitos de tábuas de madeira. Elas têm aparência de madeira podre. Mas deve ser somente um efeito. Acho que o governo ou prefeitura jamais fariam uma passarela perigosa, onde atravessam centenas de cariocas.
O que tenho certeza é que essa passarela é assassina. A cada passo que se dá, a cada degrau que se sobre, a passarela toda treme. Parece um terremoto de 7 graus na escala Richter. E quando tem um maluco atrasado que atravessa correndo? Aí se segura, senão o treco cai! Fora as tábuas que parecem estar soltas. Parecem. Deve ser um efeito também. Ou alguma coisa do gênero. Já ouvi dizer que um cara caiu dessa passarela, mas não acreditei. Sinceramente, acho que o governo e a prefeitura jamais seriam capazes de deixar um cidadão se acidentar nessa passarela e ainda encobrir o desastre.
Pra completar, nos últimos tempos a prefeitura inventou de mudar o ponto de ônibus. Antes era colada na escada da passarela. E era ótimo porque só precisava descer do ônibus e atravessar a dita cuja. Agora o ponto fica a 2km de distância da passarela. Agora, para chegar ao trabalho eu tenho duas opções. Ou eu vou por baixo, atravessando que nem louca e desesperada as pistas da Presidente Vargas, correndo o risco de ser atropelada por um motorista mais louco ainda. Ou então vou por cima, volto até a passarela caminhando uns 20 minutos, atravesso a passarela assassina e depois vou andando até o meu trabalho.
Eu nem sei o que recomendar aos meus leitores. O risco de morte é o mesmo. Mas eu tenho alguns macetes. Quando tem bastante gente pra atravessar, eu espero e atravesso junto com o povo. Se é pra morrer, morre um monte de gente de uma vez. Pra dar mais mídia. Imagina a cena, um carro vindo na maior velocidade e atropela um grupo de trabalhadores. Ia parecer jogo de boliche. Strike!!! Agora, quando não tem ninguém esperando pra atravessar a pista, eu respiro fundo e vou de passarela. Segurando o corrimão bem firme. Eu posso até cair, mas levo a passarela junto também.
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